sexta-feira, 17 de abril de 2026

Reminiscências


Amo o meu delicioso silêncio,

Mas decidi aprisioná-lo,

Colocá-lo fora daquele momento,

Já que não era o seu tempo!

Saí nas asas do vento

Ganhando agitado alento

Para o meu livre pensamento.

 

Saí para comprar cravos,

Vermelhos, da cor do sangue,

Largando o meu olhar langue

Para esbanjar ideais de liberdade

Com ansiosa serenidade.

 

Saí para impulsionar na rua

Aqueles que, com amargura,

Se refugiavam na sua candura,

Pois não tinham bravura madura

Para segurar cravos vermelhos

Que eram lhanos espelhos

De sonho e luz,

De vontade e liberdade,

De promessa sem pressa,

De garra sem amarras.

 

Saí para iluminar, saí para incendiar

Aqueles que não queriam acreditar

Em almas inspiradas,

Em estradas desassombradas,

Em gentes animadas

Para não ficarem de joelhos!

Saí para contagiar novos e velhos! 

Professora Emília Barbeira, Escola da Sé