sexta-feira, 17 de abril de 2026

Reminiscências


Amo o meu delicioso silêncio,

Mas decidi aprisioná-lo,

Colocá-lo fora daquele momento,

Já que não era o seu tempo!

Saí nas asas do vento

Ganhando agitado alento

Para o meu livre pensamento.

 

Saí para comprar cravos,

Vermelhos, da cor do sangue,

Largando o meu olhar langue

Para esbanjar ideais de liberdade

Com ansiosa serenidade.

 

Saí para impulsionar na rua

Aqueles que, com amargura,

Se refugiavam na sua candura,

Pois não tinham bravura madura

Para segurar cravos vermelhos

Que eram lhanos espelhos

De sonho e luz,

De vontade e liberdade,

De promessa sem pressa,

De garra sem amarras.

 

Saí para iluminar, saí para incendiar

Aqueles que não queriam acreditar

Em almas inspiradas,

Em estradas desassombradas,

Em gentes animadas

Para não ficarem de joelhos!

Saí para contagiar novos e velhos! 

Professora Emília Barbeira, Escola da Sé 

Abril de 74


 

Abril de 74 foi uma colossal revolução;

Também, uma popular e feliz canção

Que Zeca Afonso entoou com sensação!

 

Abril de 74 foram cravos da cor do coração

Que se empunharam com determinação

Quando Celeste Caeiro os deu com emoção

Ao povo oprimido, ao soldado e ao capitão.

 

Abril de 74 foi luz bruxuleante na escuridão,

Também, um grito vigoroso de união,

Bem como de coragem e movimento são,

Que juntou uma e outra intrépida mão,

Para derrubar uma ditadura em aflição!

 

Abril de 1974 é e será liberdade em construção;

Uma Serra que se levanta contra a opressão;

Um Cobertor de Papa que protege da agressão;

Neve glacial que congela a ignóbil escravidão;

Um Anjo da Guarda que interdita a sujeição!

 

Abril de 1974 será sinónimo de liberdade e superação.

Professora Emília Barbeira, Escola da Sé

Um Poema, um abraço aos Capitães de Abril


 

Um poema, um forte abraço aos CAPITÃES

Que no dia 25 de abril alteraram as leis

E, também, as vidas de filhos, pais e mães!

 

Graças à sua combatividade e determinação,

O país encetou poderosa movimentação

E todos sem exceção com a corajosa mão

Cravos vermelhos exibiram da cor do coração.

 

Nunca Portugal tinha visto semelhante ação

Nunca o país amealhara tamanha união,

Pois todos ambicionavam a sua libertação

E todos diziam: - Hoje é dia de comemoração.

E todos gritavam qual lindo galo fanfarrão:

- Liberdade, liberdade, sim, cativeiro, não.

- Liberdade para quantos hoje aqui estão!

 

Parabéns aos intrépidos Capitães de Abril

Que exibiram muita força e alegria pueril

E em todos despertaram doces sonhos mil!

 Professora Emília Barbeira, Escola da Sé

Abril

 


Abril é como um garço mar

Que todas as primaveras

Eclode, qual verbo amar,

Em flores espetaculares,

Em luz e cores peculiares,

Em cheiros singulares.

 

Abril foi um tumultuoso mar,

Que há 50 anos soube gravar

E com um cravo vermelho elevar

O nome Liberdade, Liberdade

E, ainda, o verbo Libertar, Libertar

Para apontar doce caminhar

A quantos ousarem sonhar!

Professora Emília Barbeira, Escola da Sé 


Abril verde, vermelho e azul

 


Abril é um mês de cores luminosas e fluorescentes.

Na natureza, nasce o verde das árvores, arbustos e flores:

Floresce o verde-garrafa, o verde-esmeralda, o verde-água…

Que dominam a paisagem, expulsando qualquer feroz mágoa.

A mãe-natureza tem esse maravilhoso condão:

Oferecer, em cada dia, um postal com tanta paixão

Que em todos aguça curiosidade e voraz admiração.

 

Abril é, igualmente, um mês de vermelhos sanguíneos

Que brotam de camélias, rosas, papoilas ou cravos

E nos convocam para momentos de eterna gratidão

Para com aqueles que lutaram e fizeram uma revolução

Que exigiu, na profunda escuridão, muita gente em ação

Para exterminar os ratos, que se organizavam em batalhão,

A fim de torturarem, prenderem ou eliminarem inocentes

Que lutavam pela nossa liberdade como leões irreverentes.

 

Abril é, também, um mês de laços azuis ao peito

Para alertar a sociedade para os maus-tratos

E todos desencadearem ações e movimentos concertados

Em prol de crianças e adolescentes desprotegidos.

 

À Bonnie Finney ficam os nossos agradecimentos

Por ser a pioneira a dar a sua amiga e generosa mão

Àqueles que precisavam de urgente proteção.

No seu carro depressa um laço azul colocou,

Por isso muita gente, avidamente, a questionou.

Desta forma, pôs a nu o que aos seus netos aconteceu

Para proteger outros meninos que não eram já seus.

 

Então, abril é um arco-íris plural e multicolor

Que oferece FLORES MIL, LIBERDADE e AMOR.

Professora Emília Barbeira, Escola da Sé

Ecos de Abril

 


Abril é o mês de atraentes e felizes flores,

De arcos-íris atrevidos e multicolores,

Dos cheiros intensos dos brancos lilases,

E, também, de cravos vermelhos inebriantes

E de passarada irrequieta na construção de ninhos

Bem escondidos, mas assaz confortáveis e macios.

 

Mas abril é muito mais do que cheiros

Do que olhares sôfregos e extasiados

Perante lugares doces e movimentados.


 

Abril é um mês que sabe a liberdade e gratidão,

Pois houve Homens que lutaram até à exaustão

Contra o Adamastor e sua humilhante opressão,

Contra Velhos do Restelo que ditavam com convicção:

- Não te atrevas a verbalizar; não te atrevas a pensar;

- Não te atrevas a sonhar, não te atrevas...

 

Abril é um mês que aplaude os capitães de abril,

Uma vez que lutaram contra a mentira ignóbil

Contra uma realidade estranha e inverosímil.

Por isso, abril é, também, vitória e alegria pueril

De quem se libertou de duros grilhões

E de vorazes e inexplicáveis tubarões

Para o Povo conquistar lhanos sonhos mil.


Professora Emília Barbeira, Escola da Sé