Amo o meu delicioso silêncio,
Mas decidi aprisioná-lo,
Colocá-lo fora daquele momento,
Já que não era o seu tempo!
Saí nas asas do vento
Ganhando agitado alento
Para o meu livre pensamento.
Saí para comprar cravos,
Vermelhos, da cor do sangue,
Largando o meu olhar langue
Para esbanjar ideais de liberdade
Com ansiosa serenidade.
Saí para impulsionar na rua
Aqueles que, com amargura,
Se refugiavam na sua candura,
Pois não tinham bravura madura
Para segurar cravos vermelhos
Que eram lhanos espelhos
De sonho e luz,
De vontade e liberdade,
De promessa sem pressa,
De garra sem amarras.
Saí para iluminar, saí para incendiar
Aqueles que não queriam acreditar
Em almas inspiradas,
Em estradas desassombradas,
Em gentes animadas
Para não ficarem de joelhos!
Saí para contagiar novos e velhos!
Professora Emília Barbeira, Escola da Sé




